sábado, 2 de abril de 2016

A Mensagem do Rei



Caros humanos, quem vos escreve é o Rei Noyer. Sou um tigre branco criado dentro de seu país. Sou único, igual a vós, e o último porque não tenho a genética original dos Tigres Brancos que habitam este Planeta.

Durante os anos que vivi no Morro da Urca, observei-vos de longe e fiquei me perguntando o porquê de vós vos comportareis como se fosseis os últimos da face da Terra, não vos importando com o futuro de vossos descendentes. Preocupa-me o fato de os humanos não pensarem em futuro melhor para seu Reino nem para o Planeta que habitam. Ignorais a mensagem da Natureza; ignorais a mensagem dos animais; prendeis pássaros em gaiolas, colocais nossos irmãos em jaulas para serem apreciados e insultados em zoológicos. Comprais e adotais cachorros, implorais por seu amor e, depois, os abandonais. Pensais que gatos amam, mas gatos não amam; eles negociam: “tu me dás um lar e eu te dou a honra de minha companhia”. Pensais que o mundo gira ao redor de vossas necessidades e esqueceis-vos de necessidades dos menos favorecidos. Ignorais moradores de rua e crianças que nelas vivem. Depois, quando elas crescem sem futuro e vos roubam, gritais por segurança. Mas ninguém se importou ou pediu segurança para aquela criança que hoje vos rouba.

Unis-vos em milhares de bandos em festas no seu reino, mas não conseguis unir esse mesmo bando para exigirdes de vossos governantes vossos direitos e direitos dos menos favorecidos e daqueles que não fazem parte de vossa sociedade, como nós, os “animais irracionais”.

É preciso refletir e decidir o que realmente quereis para o futuro do vosso reino. E que Planeta deixareis para vossos descendentes.

Ora, eu sou o último e não vivo como se o fosse. Não fui o Rei perfeito, mas, quando fomos resgatados pelo biólogo, dei chance a meus irmãos para decidirem qual caminho tomar, já que, ao descerem do Morro da Urca, perderiam o encanto de falarem e se comunicarem com humanos. Eles escolheram seguir a mim, minha família e os Guardiões até a reserva onde militares nos deram a chance de vivermos até nossos últimos dias neste Planeta.

Então, o que gostaria de dizer a vós é: não vivais como se fosseis os últimos. Vivais como aquele que podem mudar a história de vosso reino e deixar um futuro para os diferentes e os iguais habitarem este Planeta com harmonia, respeitando espaços um dos outros.

Não penseis que sou um tigre de estimação da reserva onde moro. Ainda sou o Rei e quero que vós sabei que ai daquele que tentar invadir nosso Reino. Sim “nosso”: meu e de vós, humanos. Ainda sou Rei do Morro da Urca e do Pão de Açúcar. E se alguém ousar nos afrontar, sabei que a Natureza estará pronta para, ao meu sinal, se rebelar e provar que neste reino vivem os iguais e os diferentes e que ninguém tem direito de invadir nosso território.

Como tigre, peço à Natureza que inspire os humanos a pensar em forma de nos proteger. Assim como nós, que também temos função de proteger tudo o que a natureza nos ofereceu. Como rei deste Reino, peço à Natureza que seja complacente com os ignorantes e implacável com aqueles que a invadem, sujam e roubam seus tesouros: arvores, plantas e animais.

E, por fim, como Rei do Morro da Urca e do Morro do Pão de Açúcar, peço aos humanos que se unam e protejam uns aos outros. Sejam mais generosos e tenham em mente que, ao proteger este reino, aprenderão a respeitar os iguais e os diferentes.

Que a natureza esteja convosco e que aprendei a conviver com ela, respeitando-a e protegendo-a.

Rei Noyer

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